Nosztalgia

É um cansaço que se confunde com tristeza
Fadado ao tempo farto de não ter mais tempo
Tempo de nada vai jorrando olhos remelentos
e ao relento encobre toda paz no pensamento

Andando solto de cabeça cansada
de um muito cheio quase que vazio
olhos vidrados em sujas vidraças
de corpo mole, sentindo fastio

É uma luta diária que se confunde com perda
uma miséria ordinária, confusa, falsa certeza
de muito tempo feliz, de insensatez incessante
e medo de descobrir ser igual ao que era antes

Até hoje eu não sei se um dia eu vou saber
até ontem eu sabia esquecer
até que o tempo vá, e eu não precise mais correr
até ontem eu queria esquecer
mas eu não sei mais...

É como que um sentimento de evolução ao contrário
revolucionando os porcos em seus sonhos diários
Às vezes eu esqueço de lembrar
Às vezes eu esqueço...


Ferino

O teu medo é o desejo de ser hipocritamente desumano e querer aquilo que te dá prazer.Eu não vejo mais porque seguir andando nessa tênue linha, aguardando escurecer.

Um cuspe seco, um ledo desengano.
Um choque elétrico, um sonho amargurado.
A bancarrota torto vai o pensamento de um ser humano livre e morto, humano desatento.

Sinceramente desumano, hipocritamente desumano. Sinceramente, desumano. Desumano.

Teu veneno transparece no olhar, saltando em tuas veias podres demais, te fazendo emudecer.Nem tua postura traz os anos perdidos buscando vingar o medo de ter que viver.

Um gole amargo, amaricado, silenciado.
Um quase nada, um todo bêbado, segue a dança.
Se alçando livre cansa e alcança o seu futuro. Esfarrapado, rotineiro homem, sem passado.

Enquanto dorme acordado, hipocritamente desumano. Sinceramente, desumano. Desumano.

Teu sorriso é fugaz
Entorpece e desfaz
Ainda assim, sem demais
Um aperto no peito traz.