Altruísmo Pagão

Tarde de outono. O sol quente e o ar frio se mesclam quase como a dança de um jovem casal apaixonado. Um começo, ou recomeço. Um começar denovo. O mesmo caminhar, pisando no mesmo chão. Mas de um jeito diferente. O mesmo barco, a mesma história. Tudo junto. Guardado como um segredo debaixo dos braços desta berrante realidade. Segredo seguro, determinado. Histórico. Um começar denovo. Com novos passos dentro daquele caminhar, desta vez com os olhos erguidos. Desta vez com os braços abertos. Desta vez transformando o medo em desejo, partindo em busca da realização. Se ela virá? Dizem que para morrer basta estar vivo. E se a vida humana é um grande processo, não é a morte sua maior realização?

Tarde de outono. O mesmo caminhar pisando no mesmo chão. Desta vez com os braços abertos, os olhos para o alto e o desejo nas mãos. Ainda que desconfortante, a cadência nos versos denuncia a consonância instrumental da orquestra, e as vozes da libertação lançam gregorianos tortos. É o berrante da realidade, perto da explosão mais pura. E mais dura. Seria o olho do furacão? A que ponto o medo do ameaçador diabo vermelho nos levou? Desta vez, diferente.