o rato roeu a roupa do rei de roma

Diante da contenção de toda a ansiedade foram-se as unhas
A constatação da incerteza deixou ainda pior
Já quase começam a irem-se os dedos
Ai que coisa, que coisa
Corre, pega aquela flor amarela
Mas toma cuidado
Toma...

O Impulso

Ela não queria que fosse. Mas seria.
Mas ela era tão, tão irredutível. Tão convícta.
Ela não queria que fosse.
Mas não adiantava nada o não querer. Porque seria.
Deu pena. Partiu o coração de muitos vê-la.
Tão convícta, cheia de suas veemências, certa de si.
Impetuosa. Eloqüente.
Deu pena. Ela não queria. E foi.
Arrebatador e intenso, foi.
Apareceu no rigor de um impulso. E foi.
E agora já era.

Gatos...

Queria ter a agilidade dos gatos pra sair em parcours infindáveis pelos mundo
Andar por sobre telhados, muros e floreiras
Pular em mil cachoeiras
Tentar encontrar o fundo
Queria ter a coragem dos gatos e sair sem lembrar de nada
A cada morada uma família
A cada noite um dia
A cada parada uma amada
Queria ter tudo isso, e nada.

Seco.

Todo seco, feito um galho d´árvore no inverno. Bem seco.
Tão seco quanto o sabor amargo de um deserto.
Seco e Frio. E amargo.
Um gosto de desgosto. De guarda-chuva. De asco.

A volta dos que não foram

Voltar sem ter voltado
Nos ombros um coração cansado
Nunca calado em seus calos
Sem medo da vida, e da morte
À própria e única sorte
De ir, sem nunca ter ido
Tentando encontrar o nunca encontrado
Mesmo sabendo ser impossível
Mesmo perdido e suado
Olhando tudo que nunca foi visto
No mesmo e velho círculo quadrado