Depalperada Magnífica Opulência

Não precisava passar por isso. Parece que de mãos e pés atados. Lânguido, frouxo. Ouvindo um canto rouco e triste. Sem voz, com um ar de extremo. Andando pelas vielas, debilitado, voluptuoso, mole e extenuado. Parece um esgoto. Não adiantava nem não pensar, porquê vinha o pensamento. Maldito cérebro humano que só faz pensar. E acabava pensando que devia ler menos. Talvez assim conhecesse menos palavras. Talvez assim pensasse menos. Ou não pensasse. Era tudo que queria, mas não dava. O cérebro humano não deixava. Como assim parar de pensar? Não precisava passar por isso, só precisava de um tempo...

Ato ou efeito de desenganar

Sabia que não ia dar em nada, mas mesmo assim
Guardou esperanças numa caixinha e se jogou
Saiu afora num soberbo e penoso sem fim
Sabia que não tinha e não podia
Que tudo estava contra o que acretida
E não queria
Cantares tortos não são aceitos
Nem adianta querer parecer o Cristo
Não tem porquê, não precisam de tortos
Ainda assim é necessário correr o risco
Nenhum não calará o pranto
Nenhum não impedirá o sonho
Mas é triste ver a dificuldade do homem
De ser...

Zona Corada da Pele

Monolítico, homogêneo, impenetrável
Que fratricídios cruéis nestas vivências
Oh tempo de incerteza e maledicência
Segura o teu labéu e segue com a tua mácula
Não tem jeito senão alcançar o intransponível
Que nódoa triste, opróbrio indecoroso
Canso de viver esta ignomínia
Mas não tem jeito

Ao menos, o tempo passa...

hunf

Não diga nada. Não teça comentários.
Não te cabe. Não há porque ser chata.
Inconveniente.
Não diga, não comente.
Não fale.
Não.
Inconveniente.

Chuva...

Não tenho inspiração nestes últimos dias.
A chuva é incessante há meses, já não há mais tantas cores.
Está tudo tão molhado, tão molhado.
Quase apodrecendo. Tudo cinza.
Ah! Que coisa esse tempo. De tristeza, cansaço e chuva.
Se eu ainda tivesse alguma alegria pra encher meus olhos,
mas a única coisa que enche últimamente é a água da chuva.
Chuva, chuvinha. Chuvão. Temporal.
Tempo triste e cinza, temporal.
Não tenho inspiração, e por isso escrevo mal.
Não vou me alongar no meu desabafo molhado.
Mas eu queria tanto que esse tempo passasse logo.

Hesitação

Qualidade de quem é incrédulo
Porque sei lá quanto deseja, morre de medo
Sôfrega, tropeçando em seus próprios soluços, e sustos
Dificuldade de crer, uma suspeita
Quantos escrúpulos, putos
Que geram essa hesitação ansiosa
O medo eterno da dúvida
Desejo de querer o que não se deve
E é consenso, não se deve
Sôfrega, abortiva e eternamente alegre
Em uma tristeza sem fim

Determinações Fetichistas

Alguns percalços semi-alados
Daqueles loucos que vagueiam sem saber
Onde ir, e porque
Semi-gótico
semiótico
É... a eterna dúvida cruel de existir
O enfim chegará talvez num sopro
Ou nas notas de umas cordas tortas
Apelo
Desapego
E muito medo se fundem no anseio
Cosmopolita de ser
Mas hão de convir que não é possível viver
sem questionar
Não é possível pra eles
Então não há como
Não há saída senão responder ao chamado das ondas
Sair percorrendo o chão das acácias
Sei la pra onde
Mas sei porque