Eurico, o incansável.

Para todo o tempo que passou de Eurico, ficou a lembrança. Mudou. Desfez-se. Agora tinha outras prioridades. Até porque, precisava pagar as contas, não queria viver um desatino sem sentido de ser, só por ser mais fashion talvez. Mais fashion e mais capitalista. Não conseguiu mais, simplesmente.
Teve que mudar devolta para aquilo que tentou, e tentou com veemência, negar, sua própria essência, ou a razão primeira que considerava ser, de sua existência. Não veio para cá para ser fashion, veio para fazer história. Mas chegou um tempo da vida que Eurico decidiu fazer parte de outro mundo. Por certo mais bonito, mais colorido, fashion. Bastante amigável ao primeiro encontro, sedutor.
Decidiu fazer parte daquilo que um dia tentou condenar, até compreender que não é assim. Não se condena. Resolveu juntar-se àqueles que nem sabia direito o que significava ser. Eurico partiu para os cantos mais recônditos de todos os undergrounds e periferias da cidade. Eurico fugiu da sociedade histórica e decidiu que não queria mais fazer história. Queria seguir o caminho e fosse o que fosse. Eurico cansou de agir.
Mas não era assim, não é desse jeito que se faz. Não se para de agir. Só se age de um jeito diferente. E quando se deu conta, Eurico estava agindo de um modo que não o permitia mais reconhecer-se. Eurico deixara de ser Eurico.
Nessa hora todas as dúvidas empilhadas no cérebro durante anos de conduta diferenciada vieram, e Eurico ficou perdido sem saber o que fazer. Achava que precisaria ficar agindo assim pra sempre. De um jeito fashion e colorido, mas nada humano. De um jeito que só o fazia pensar em si mesmo, e destruir o que aparecesse como obstáculo fosse árvores, pedras, animais ou seres humanos. Eurico se tornou voraz. E triste.
Eurico não gostava de ser assim. Essa não era a essência de Eurico. Eurico era humano, e gostava de ser humano. Eurico queria voltar a ser o que era antes, mas não conseguia ver qualquer possibilidade de mudança. Pobre Eurico, perdido em suas próprias escolhas.
Foi então que ele lembrou-se de todas as mudanças pelas quais havia passado, e foi aos poucos percebendo que bastava ele fazer uma nova escolha para mudar. Ele sabia que sofreria. Nenhuma mudança é sem sofrimento algum. Mas ainda assim, preferia a mudança e a perspectiva do que permanecer no sofrimento fashion e, aparentemente eterno. Eurico não aguentava mais. Era preciso mudar...

2 comentários:

O peso de ser disse...

Eurico, o junkie!Eu mudo como o Eurico.

Michelle Elias Siqueira disse...

ahhhh eu conheço o Euricooo, somos todos nós com fome de viver...
te amo
beijooo