Infusa ciência

Conhecimentos, vastos conhecimentos.Rondando e ronronando como um desses filhotes felinos.Buscando certeza, informações fidedígnas. Aventuras imaginárias refletindo a aurora de uma realidade sem fim. E sem imaginação. Esse rumor contínuo produzido pela satisfação engorda olhares, engorda rostos e gostos.

Infusa ciência.

There´s another big riot.


Como é possível sofrer tanto nesta vida
e ainda gostar tanto de viver


Sentir tantas vezes o gosto amargo de tristeza na
garganta
e com destreza seguir

Eu admiro essa gente


eu admiro


Que gente boa hoje está difícil de encontrar
Que gente humana hoje está difícil...

Ainda um dia vou dizer porque me dói tudo isso
e as pessoas, espantadas, vão olhar e dizer
que não se trata apenas de mais um vício

Que sem pudor que tu és
Que sensação de mudar
Que desejo de partir para o lado do que restou

O Curso do Rio

As escolhas às avessas
Falar diferente, contra a corrente do mal
Nadar a favor do curso do rio do bem
e Sentir...
Tão chata é a incompreensão
É tão chata quanto essas chatices do "novo português"
Incompreesão por causa de escolhas às avessas
Por escolhas de desnudar, desvendar e acreditar
e Sentir...
Tudo o que fazemos aqui é real
É concreto, ainda que triste
É material, ainda que efêmero
E, sobretudo, é real porque é humano
e faz Sentir...

Between purchasing...

Um abandono.
Um entre tantos outros, tantos.
Artigos indefinidos de segundo grau.
E ainda resta música.
Pra sempre, quase como eternamente.
Artigos definidos de degraus.
Supremo abandono.
Triste e alegre retorno.

Soneto de Aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Vinicius de Moraes



PARA ANA LUÍZA - COM UM BEIJO DE FELIZ ANIVERSÁRIO

Leon, o proscrito

Eram tempos de infância. Leon se balançava contra o vento no brinquedo do parque e sonhava. Sonhava com um mundo em que o tempo de infância duraria quase eternamente. Não que Leon desejasse não ter responsabilidades, até porque ele já tinha muitas. Mas Leon tinha medo de crescer, talvez um medo inconsciente. Porque Leon sabia que crescer implicaria em assumir que não era mais o que foi. Leon tinha a certeza de que crescer implicaria em se transformar, e principalmente, em assumir que se transformou, e que provavelmente continuaria a se transformar. Leon tinha tanta sede de liberdade mas não tinha coragem para promover sua auto-libertação. E isso não era porque ele tinha falta de coragem, como o Leão do Mágico de Oz. Porque Leon tinha tanta coragem pra fazer tantas coisas. Leon tinha medo de assumir. De assumir que não era perfeito, que não sabia amar (ele amava torto), que não queria o que queriam pra ele, que era gordo e gostava de comer guloseimas, que queria sair pelo mundo e conhecer novos horizontes... Leon tinha medo de ser o estranho, mas já era o estranho. Mas principalmente, o maior medo de todos era o medo de não ser mais amado. O medo de ser rejeitado. De ser reprovado por ser quem ele tinha se tornado, e provavelmente do que se tornaria. Leon gostava que os outros se compadecessem de suas mazelas, e de certa forma se alimentava disso. Leon gostava de atenção, como todos os seres humanos, e pensava que se ele assumisse sua verdadeira realidade não teria mais atenção. Ia ser impossível continuar sendo amado... Leon vivia várias ilusões porque tinha medo de assumir sua própria alteridade. Mas um dia Leon aprendeu que medo é desejo... E esta história começou a mudar... Leon ainda se balançava, com os cabelos ao vento. E sonhava... Mas agora sonhava diferente...