Leon, o proscrito

Eram tempos de infância. Leon se balançava contra o vento no brinquedo do parque e sonhava. Sonhava com um mundo em que o tempo de infância duraria quase eternamente. Não que Leon desejasse não ter responsabilidades, até porque ele já tinha muitas. Mas Leon tinha medo de crescer, talvez um medo inconsciente. Porque Leon sabia que crescer implicaria em assumir que não era mais o que foi. Leon tinha a certeza de que crescer implicaria em se transformar, e principalmente, em assumir que se transformou, e que provavelmente continuaria a se transformar. Leon tinha tanta sede de liberdade mas não tinha coragem para promover sua auto-libertação. E isso não era porque ele tinha falta de coragem, como o Leão do Mágico de Oz. Porque Leon tinha tanta coragem pra fazer tantas coisas. Leon tinha medo de assumir. De assumir que não era perfeito, que não sabia amar (ele amava torto), que não queria o que queriam pra ele, que era gordo e gostava de comer guloseimas, que queria sair pelo mundo e conhecer novos horizontes... Leon tinha medo de ser o estranho, mas já era o estranho. Mas principalmente, o maior medo de todos era o medo de não ser mais amado. O medo de ser rejeitado. De ser reprovado por ser quem ele tinha se tornado, e provavelmente do que se tornaria. Leon gostava que os outros se compadecessem de suas mazelas, e de certa forma se alimentava disso. Leon gostava de atenção, como todos os seres humanos, e pensava que se ele assumisse sua verdadeira realidade não teria mais atenção. Ia ser impossível continuar sendo amado... Leon vivia várias ilusões porque tinha medo de assumir sua própria alteridade. Mas um dia Leon aprendeu que medo é desejo... E esta história começou a mudar... Leon ainda se balançava, com os cabelos ao vento. E sonhava... Mas agora sonhava diferente...

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