Mais vale um pássaro na mão que dois voando

Um desengano... Um desabafo.

Um corpo estatelado no chão.

Dois passos... Dois pássaros

De olho em vão

Vão passando

Voando em busca do eterno





Bínne Angelo, o maltrapilho

Dilacerado, refugia-se no absoluto da arte. Seu nome: Bínne. Vive nos escombros de uma solidão impossível de ser curada. Impossível porque ainda não se descobriu como fazer o tempo voltar para tentar mudar certas escolhas. Quantas coisas teria repetido, quantas mais teria evitado. 
Bínne anda pensando sozinho no meio de um monte de fanfarrões. Esse é basicamente o resumo de sua história. Petrificado, traz consigo o destino de um conjunto inteiro. Anda solitário, mesmo sendo de uma personalidade intrínsecamente coletiva. Seus olhos se procrastinam muitas vezes em sua impotência perante a realidade, mas jamais deixam de olhar o mundo e os seres humanos que nele habitam. 
Bínne pensa solitário em meio aos fanfarrões de uma moderninade de solidão. Lida desde cedo com a rejeição, e mesmo assim, ainda sente uma certa angústia, um leve gosto de sangue. Bínne pesa solitário mas faz das tripas coração pra conseguir mostrar ao seres humanos que ainda é possível ser diferente. Bínne se desespera. Dilacerado, refugia-se no abraço fraterno da arte. Bínne tenta gritar harmonicamente.


"Quem sabe um dia te ouvirão, Bínne, meu amigo..."


O Berro da Realidade

Bastardo.
Nascido ilegalmente.
Ilegal de nascimento.
Impuro de nascimento.
Ilegítimo de nascimento.
Cão sarnento que não pertence à raça alguma.
Impróprio, condenável bastardo.
Impossível de exercer o "ser" que não seja nesta condição.
Porque "ser" bastardo se sente na sarna da pele.
Ser ilegal, imoral, impuro, ilegítimo, impróprio, indecoroso.

Bastardo obsceno de um sexo que não deveria ter existido.
Indecente, vergonhoso. Escandaloso bastardo. 

Imoral de nascimento.
Bastardo.

Voltage Regulator

Desesperada, desinteressada, estanque
Abriu seu caminho de armas sutis
Atordoada, subiu fumegante
E como fosse num palanque, se abriu
Sua cortina já não mais podia cobrir
Pois aquilo que encobria jamais deixou de existir
Era sabido que um dia o império ia ruir
Não esperava assim tão farto
Do alucinógeno fez parto
E aquele aquebrantado coração não mais podia amar em vão
Não sei se foi um batizado de loucura
Mas a amargura no meu peito sentiu seu perdão
Perdão por nem saber o que havia feito
E se havia feito, e se não, senão...
Atordoada, desesperada, errante
Não mais podia não ouvir a decisão
um tempo que já não mais existia, ou era um novo que surgia
Com certa e estranha atenção
Mal entendi, mal entendeu, mal entenderam
E quem é que entende mesmo essas coisas do coração?
Desinteressada, atordoada, fumegante
Caminha insóbria num mundo de tentação
ouvindo o chamado e o canto dos que não dormem
buscando suprir os desejos de proteção
e insegurança... e quase alcança...

Mas é passageiro, é só passageiro...