De música no jardim...

Meio caído de paraquedas, chegou ao centro. Estonteado com tantas luzes, meio ao relento, sonhou. Tantas vitrines, todas vermelhas. Moças bonitas e moças feias disputam espaço com cisnes. E barcos. Quantos canais por entre prédios tortos, e pessoas tortas por entre ruas mais tortas ainda. E turistas. Já não sei mais por onde ir nessa cidade (tragicidade), felicidade da qual já vou partir. Bondinhos azuis, sempre a surgir, que te descobrem um mundo novo, onde vivem coelhos e os mais diversos pássaros. Algumas flores e muitas plantas, são todas feitas. Mas fora isso, isso fora. Do lado de dentro é outra história que se passa. Onde em sua sujeira vivem felizes ratos, de meses, anos, de fatos e fiascos. Seres humanos, seres urbanos, habituados, acomodados. Que gente doida, que estranhas gentes, e que estranhas mentes. Vibrando em longas discussões, com um mal de garganta grotesco e rude, que se tornam doces palavras em variadas horas, escolhem não fazer sensato na hora da despedida. Já não sei mais como me despedir de ti, e de toda tua tragicomédia monárquica. Não sei mais definir a sensação de partir. Uma última e encantadora cavalgada no cavalo prateado. Uma última música de jardim. E a certeza de que toda despedida compreende também uma chegada... (Escrito em 29 de Abril de 2010)


Photo by Gaspa.

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