Ferino

O teu medo é o desejo de ser hipocritamente desumano e querer aquilo que te dá prazer.Eu não vejo mais porque seguir andando nessa tênue linha, aguardando escurecer.

Um cuspe seco, um ledo desengano.
Um choque elétrico, um sonho amargurado.
A bancarrota torto vai o pensamento de um ser humano livre e morto, humano desatento.

Sinceramente desumano, hipocritamente desumano. Sinceramente, desumano. Desumano.

Teu veneno transparece no olhar, saltando em tuas veias podres demais, te fazendo emudecer.Nem tua postura traz os anos perdidos buscando vingar o medo de ter que viver.

Um gole amargo, amaricado, silenciado.
Um quase nada, um todo bêbado, segue a dança.
Se alçando livre cansa e alcança o seu futuro. Esfarrapado, rotineiro homem, sem passado.

Enquanto dorme acordado, hipocritamente desumano. Sinceramente, desumano. Desumano.

Teu sorriso é fugaz
Entorpece e desfaz
Ainda assim, sem demais
Um aperto no peito traz.